Setembro 12, 2006

quando as quatro paredes falam

olho, do escuro, as pessoas passando. ninguém me vê, estão livres para fazer o que quiserem. elas são loucas, todas elas. não me vêem, mas olham para os cantos, procurando por alguém. ressabiadas - alguém está me olhando? quem está aí? para ter certeza, esperam alguns segundos, e, em seguida, tocam-se, fazem pose para a vitrine, lambem as mãos, riem sozinhas. eu olho do escuro e ninguém me vê. eu vejo medo. mas como sabem que estou aqui? ou não sabem. apenas desconfiam que alguém está à espreita a cada minuto que passa, cada momento. são loucas. quem as vigia? deus? mais fácil serem os próprios homens. entretanto, elas continuam a fazer o que querem, escondidas.


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